Monte seu portfólio sem cliente – Parte III

Continuando o post Monte seu portfólio sem cliente. Na Parte I Apresentei a vocês dicas de diversos sites e blogs sobre o tema, e indiquei alguns meios de divulgação de seus trabalhos na internet. Já a Parte II trouxe comentários do professor Daniel Dantas. Agora, na Parte III, trago os comentários do Designer Gráfico Valmir.

Com a palavra: Valmir Pereira

É estranho pensar em portfólio quando não se tem clientes, mas é relativamente fácil resolver esse problema.

Uma das opções é “doar” seus talentos, sem custos. “Mas espera ai; nem comecei no mercado e já vou trabalhar de graça?” Sim. Exatamente porque você ainda não entrou no mercado de trabalho. O que quero dizer é que, como o mercado não conhece seu talento, ele – ainda – não tem um valor mensurável. Se empenhando em propostas que ao menos garantam uma boa visibilidade, ou na pior das hipóteses, uma boa presença em seu portfólio, você começa a mostrar porque seu talento deve ser recompensado.

Outra alternativa são os chamados “jobs fictícios”; simplesmente faça trabalhos para clientes que você gostaria de ter, sem que eles tenham solicitado, ou crie seus próprios clientes. Redesenhe marcas, desenvolva identidades visuais, crie pôsteres… Use a imaginação, mas acima de tudo use toda experiência acadêmica adquirida nesses trabalhos.

Lembre-se sempre que design não é arte; não se faz design para massagear seu próprio ego (apesar de, não importando o grau, ele sempre estar envolvido no processo…), se faz com um objetivo, se faz para resolver um problema para seu cliente. Qualquer implementação, de natureza técnica, estética ou até mesmo artística tem que estar dentro do propósito inicial da empreita; ajudar seu cliente a resolver o problema que ele tem.

Quando se apresenta um portfólio, a primeira coisa analisada nas peças diz respeito a adequação da estratégia ao problema, depois vem a adequação conceitual, a estética e por ai vai. Ter apenas clientes fictícios não é muito bom porque a tendência natural é só realizar projetos “dos sonhos”, ou que estejam dentro do gosto estético, ou dentro da capacidade técnica de quem cria; profissionais veteranos sabem disso simplesmente porque um dia também foram novatos e, quase todos, também recorreram a estes artifícios. O problema é que grande parte dos jobs reais representam desafios não exatamente por serem tecnicamente complexos, mas por exigirem que o designer se adéqüe as necessidades do cliente frente ao mercado que quer atingir.

Falando assim parece simples, mas para ilustrar o que digo faça o seguinte: imagine um profissional que é apaixonado por música clássica, conhece tudo dos grandes mestres e tem um ouvido apuradíssimo para as sutilezas do estilo. Certo… Esse profissional é um designer. Um belo dia a maior e mais conceituada banda de forró da Amazônia conhece seu trabalho (internet encurta distâncias…) e decide contratar seus serviços para reconstruir sua imagem, que foi feita de forma muito amadorística no começo da carreira, para algo que faça jus a posição de mercado que ela atualmente ocupa. O primeiro provável pensamento que vem a tona é “simples; recusa-se o trabalho”. Isso é ser profissional? Acho que não… O bom profissional vai estudar o caso, ver a possibilidade de agregar (valores, conceitos…) com a sua experiência e colateralmente se beneficiar dos resultados positivos que essa relação possa gerar. Esse é o universo real que todos aqueles que estão se formando irão enfrentar.

“Sempre iremos pegar trabalhos com os quais não nos identificamos?” Não, mas a experiência de mercado diz que proporção deles no começo da carreira é beeem maior do que os trabalhos “legais”. Não se assuste; se fosse tão ruim assim a profissão não estaria em plena expansão e não teríamos cada vez mais jovens querendo seguir essa carreira.

Ah! Se fosse há alguns anos atrás diria para não se esquecer de criar um blog ou site para expor seus trabalhos, hoje faço o inverso; não se esqueça de ter uma apresentação física decente; em pasta de portfólio, organizada, limpa, hierarquizada… Você é um designer, não – com todo respeito aos que nobremente sobrevivem disso – um vendedor de quinquilharias do centro velho da cidade. Por último, tenha um cartão de apresentação. Novamente vou lembrá-lo; você é um designer, alguém que quer – e precisa – ser lembrado pelo estilo que tem ou que esta desenvolvendo. Ninguém achará que você tem estilo pegando seu telefone para contato rabiscado em um pedaço de guardanapo ou coisa que o valha. Considere seu cartão como um micro portfólio; é a primeira peça que você apresentará profissionalmente para alguém que poderá vir a ser um cliente em potencial. Esteja sempre preparado…

Parte IParte IIParte III

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5 comentários sobre “Monte seu portfólio sem cliente – Parte III

  1. Sem dúvida, Valmir aponta com lucidez e precisão dicas que ele pratica. Bom perceber um aluno e colega na ativa que sem preciosismo colabora online e em sala para que outros interessados progridam.
    Abraços e parabéns, Welton, pela iniciativa de seu blog.

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